Um painel dedicado às Constelações Guarani, uma das formas mais sofisticadas de interpretação do céu desenvolvidas pelos povos originários do Brasil, é a novidade do Museu de História, Imagem e Som Deolindo Mendes Pereira, de Campo Mourão. Trata-se de um novo elemento para visitação na Sala dos Povos Indígenas.
O material foi cedido graças a uma parceria com o Museu Histórico de Londrina e amplia o conteúdo educativo da exposição de Campo Mourão. Com a novidade, os visitantes do Museu têm a oportunidade de conhecer uma maneira própria de compreender o Universo, construída e transmitida pelos povos Guarani ao longo de séculos.
O painel destaca que, muito antes da chegada dos europeus, os Guarani já utilizavam a observação do céu como um verdadeiro calendário natural. Enquanto a tradição ocidental costuma formar constelações a partir da ligação entre estrelas brilhantes, os Guarani também reconhecem figuras nas regiões escuras da Via Láctea. É dessa maneira que aparecem constelações como o Homem Velho (Tuya) e a Ema (Guirá Nhandu), personagens importantes da cosmologia indígena.
Segundo a tradição Guarani, o Homem Velho foi morto pela própria esposa e transformado pelos deuses em constelação, permanecendo eternamente no céu. Seu aparecimento completo no horizonte leste, na segunda quinzena de dezembro, anuncia o início do verão e da estação das chuvas.
Ao redor do Homem Velho estão outras constelações importantes, como Eixu, representada pelas Plêiades e associada ao “ninho de abelhas”; Tapi’i Rainhykã, correspondente às Híades e relacionada à queixada da anta; e Joykexo, ligada ao Cinturão de Órion e associada à fertilidade e à orientação espiritual.
Já a constelação da Ema é formada principalmente pelas regiões escuras da Via Láctea e por estrelas das constelações de Escorpião, Cruzeiro do Sul, Centauro e Ara. Seu aparecimento completo no céu, durante a segunda quinzena de junho, marca o início do inverno e da estação seca, funcionando como um importante indicador do ciclo anual para os povos Guarani.
A inclusão do painel reforça ainda o papel do museu como espaço de educação, valorização da diversidade cultural e preservação da memória, além de estreitar a parceria com o Museu Histórico de Londrina na difusão do patrimônio e dos conhecimentos dos povos indígenas do Brasil.














































































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