22/07 - 07:00 Hr
Síntese - Antonio José
Que saudade de um grande amigo
Nos anos 80, assim como milhares de pessoas que seguiam para o “Novo Eldorado” do Brasil, em busca de dias melhores, realização pessoal e principalmente enriquecer, eu também segui este caminho e com a cara e a coragem de um jovem de 18 anos fui para Rondônia para também fazer aflorar uma profissão e porque não? Enriquecer. Porém, quando cheguei lá, descobri que as oportunidades eram como aqui, quem não tem dinheiro não consegue muita coisa. Até que conseguia as terras, mas eram matas fechadas e quem não tinha condições – como eu – de transformar uma área de mato em um sítio, não conseguia grande coisa. Emprego era escasso e as dificuldades eram tamanhas: falta de energia elétrica, água, condições básicas de saneamento, saúde e muita, mas muita poeira e muito calor. O “eldorado” que transformaria a vida de muitos era mais fantasia que realidade.

Foi neste período que descobri uma profissão, a qual exerço até hoje. Comecei a trabalhar em um jornal diário na cidade de Ariquemes, chamado O Parceleiro, o nome estranho é que o periódico começou como informativo aos parceiros de terras. Iniciei como auxiliar de impressão e como a máquina era muito antiga, quebrava constantemente, neste intervalo comecei a corrigir os erros do jornal. O proprietário, um deputado da cidade, chegou e me viu revisando uma edição e desta forma passei a ser um dos revisores. De revisor a repórter e redator foi um “pulinho” pois, a falta de profissionais era gritante.

Você deve estar perguntando, onde está a saudade do título? Está justamente neste jornal. Tenho muita saudade daquele tempo em que era preciso muitas pessoas para se fazer um jornal. Nunca vou esquecer uma pessoa que conheci nesta época, um homem simples que era o nosso impressor e me ensinou a dar os primeiros passos dentro de uma empresa jornalística. Gilberto, uma simpatia de pessoa que impressionava a todos pela alegria e pelas brincadeiras. Quando retornei de Rondônia ele foi à rodoviária e sem saber que eu estava vindo embora, disse que alguma coisa o impulsionou para lá e chorando me abraçou, dizendo-se meu irmão. Jamais esquecerei aquele gesto e aquele grande amigo. Através de meu irmão Gelcito que ainda mora em Ariquemes, mantenho contato com o Gilberto até hoje. Até outro artigo!

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